ANÁLISE DO PRIMEIRO TURNO : BOLSONARO VERSUS LULA
Os resultados desse pleito mostram, primeiramente, que o país continua polarizado entre direita e esquerda.
Segundo, que a onda BOLSONARISTA ainda é forte e vai prevalecer por algum tempo.
Terceiro, o Lula de 2022 é o mesmo Luiz Inácio Lula da Silva que governou o Brasil entre 2003 A 2011, ou seja, seu projeto político e visão de mundo não mudaram.
Dito isso, façamos uma análise ponto a ponto de cada candidato.
BOLSONARO
Bolsonaro é o ponto fora da curva. Bolsonaro foi eleito como representante da Direita. No entanto, pode-se dizer, a partir dos resultados do primeiro turno para Senado e Câmara, que Bolsonaro cresceu, sedimentou a polarização ideológica e hoje a DIREITA BRASILEIRA tem em Bolsonaro um líder. Isso é irreversível. O nome Bolsonaro hoje é maior do o próprio presidente. Bolsonaro hoje é um adjetivo, BOLSONARISMO, que assim se carateriza:
- Conservadorismo nos costumes;
- Forte apoio religioso, principalmente dos Evangélicos;
- Anticientificismo;
- Militarização e armamentismo;
- Extremismo ideológico;
- Visão de coletividade em detrimento das minorias;
- Visão Econômica pragmática (por exemplo, não há pudor em cortar gastos ou contingenciar recursos, ainda que sejam para educação ou saúde);
- Anticulturalismo;
No entanto, essa visão conservadora é encarada com naturalidade por seu eleitorado, ainda que alguns pontos sejam discordantes entre aqueles que o apoiam.
Na Economia, Paulo Guedes, o ministro da Economia, conseguiu manter o pagamento do auxilio Brasil durante a Pandemia, e, pós-pandemia, o que é um ponto positivo.
O Governo Bolsonaro tem alguns méritos na política econômica:
- Guedes previu que a dívida bruta do país cairia para 76,6% do produto interno bruto depois que o banco de desenvolvimento BNDES devolver 90 bilhões de reais (US$ 17,26 bilhões) que deve ao Tesouro;
- Crescimento do PIB, ainda que pequeno;
- Criação do PIX, transferência de dinheiro sem cobrança de taxas;
- Poucos escândalos de corrupção em seu governo; Os que aconteceram foram longe do núcleo duro do governo.
- E, o principal, nesse momento: Baixa no preço dos combustíveis (gasolina e diesel);
Bolsonaro foi muito bem no primeiro turno. Observem que as pesquisas eleitorais davam como perdida a eleição já no primeiro turno. As urnas mostraram o contrário. A diferença entre Bolsonaro e Lula foi de apenas 5 pontos.
No segundo turno Bolsonaro deverá ter apoio explícito de Ciro Gomes. Se não tiver, é provável que ainda assim o eleitorado de Ciro migre para Bolsonaro.
O apoio do Governador reeleito de MG, ROMEU ZEMA (Novo- MG) será essencial e necessário para a sua reeleição. Mas, ainda que não apóie explicitamente Bolsonaro, o eleitorado de Zema não migrará para Lula, deve ficar com Bolsonaro.
De todo modo, a situação de Bolsonaro não é tão ruim. É uma diferença que pode tranquilamente reverter nos próximos dias, ainda se considerarmos que antecipou pagamento das parcelas do AUXILIO BRASIL (R$ 600,00). Uma medida claramente eleitoreira.
LULA
Luiiz Inácio Lula da Silva, LULA, conclui o primeiro turno à frente de Bolsonaro, no entanto, ganhou a batalha, mas não a guerra.
Lula está diante de um candidato forte, assim como Bolsonaro tem em Lula um candidato a sua altura.
Lula traz em sua bagagem 8 anos de governança e bonança. Foram oito anos de crescimento econômico robusto, interrompidos no governo da petista Dilma Roussef.
Acrescente-se ainda os diversos projetos sociais, bolsas, distribuição de renda, programas sociais etc.
Ou seja, a memória do brasileiro eleitor do PT é uma memória afetiva de bons tempos.
Por outro lado, pesa contra o PT as denúncias gravíssimas de desvios do dinheiro público: 1) Mensalão (ação penal 470); 2) Petrolão e Lava Jato; 3) A condenação de diversos líderes do PT; 4) A condenação do próprio ex-presidente, anulada pela Suprema Corte;
Outro fato que pesa contra Lula é a pauta ideológica muito enraizada no discurso da Direita e evangélicos; Dificilmente Lula vai conseguir cooptar apoio tão importante quanto o dos crentes das diversas denominações religiosas que vêem o PT como encarnação do mal;
Outros avanços oriundos de sua gestão: 1) Na economia, seu governo conseguiu reduzir a relação dívida pública PIB; 2) aprovação da Lei Maria da Penha; 3) Criação do IDEB (índice de avaliação do ensino básico); 4) Criação da Força Nacional; 5) Criação das UPAS; 6) Criação do Farmácia Popular;
No entanto, chamo a atenção para minha frase no início deste documento “O Lula de 2022 é o mesmo Luiz Inácio Lula da Silva que governou o Brasil entre 2003 A 2011, ou seja, seu projeto político e visão de mundo não mudaram”. O PT, a esquerda, e Lula, precisam adaptar o discurso, renová-lo.
A sociedade é diversa, múltipla e heterogênea, sim. No entanto, há conceitos que devem se preservados, até para que a sociedade não se dilua e se anule na multiplicidade das diferenças. Entre esses conceitos que devem ser preservados, e a direita soube resgatar (ou se apoderar deles), estão: 1) família; e 2) civismo. Dois conceitos de alto valor simbólico, negligenciado pelas esquerdas nos últimos anos, em prol de pautas de minorias que tentam a todo custo tornar suas pautas uma pauta coletiva, de interesse de todos, como, por exemplo, a questão LGBTQI+; 3) Destinação de dinheiro para financiamento de ditaduras e outros projetos fora do Brasil. Dinheiro esse que nunca retornou.
Por mais que seja uma pauta necessária, é relevante apenas para as minorias.
Dessa forma, o PT, a esquerda, e Lula, estão enfrentando não apenas Bolsonaro, mas o seu próprio passado de escândalos políticos, e a pauta ideológica.
Quanto aos apoios no segundo turno, Lula não terá, certamente, os votos de Ciro Gomes e muito menos o de Simone Tebet.
O PT conseguiu eleger a segunda maior bancada na Câmara Federal, para a legislatura de 2023 a 2026. Como oposição, o PT é um excelente partido. Muito provavelmente será esse seu protagonismo nos próximos 4 anos. Se Lula não for eleito, deverá preparar seu sucessor.
CONCLUSÕES
O eleitor tem nas mãos uma decisão difícil, pois são dois candidatos com posições ideológicas antagônicas. Bolsonaro representa a extrema direita. Lula, representa a esquerda moderada, mas sem renovação em seu discurso. O Lula de 2002, é o mesmo Lula de 2022.
O pior é que teremos que conviver com esses antagonismos ainda por muito tempo, independente de quem ganhe, essa polarização política ainda vai persistir.
Difícil escolha para nós brasileiros.
Por Roner Gama
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